Nos dias de hoje uma coisa é certa: ninguem quer sentir dor. Numa sociedade marcada pelo imediatismo, pelo consumismo, cada vez mais as pessoas se voltam para fora e tentam descobrir como se livrar do sofrimento, da angustia, de todo tipo de dor. Para fora? Para todo o tipo de droga moderna? Pois é, a medicalização exagerada acontece quando impõe-se a obrigação de ser feliz ou quando precisa-se urgentemente sair do buraco.
Os psicofarmacos estão mais populares e de mais fácil acesso. Em recente pesquisa da Medco Health Solutions, constatou-se que a prescrição de antipsicoticos em crianças nos EUA teve um salto de 73% de 2001 a 2005. Pesquisas sobre os danos causados nessas crianças ainda não foram concluídas. É claro que há muito em jogo dentro da industria farmacêutica, mas também podemos pensar em como e tranqüilizador para o medico, e, claro, para os pais o diagnostico por ex. do transtorno do déficit de atenção. É mais fácil e rápido perceber um problema físico, neurológico, e “resolvê-lo” entupindo uma criança de remédios, sem sequer ouvi-la e saber suas necessidades.
Seria burrice ir contra a farmacologia, longe disso. Muitas vezes é extremamente necessária a utilização do fármaco, ate para que a pessoa saia da paralisia em que se encontra e possa buscar outras maneiras de lidar com sua dor. Porem, como vimos acima seu uso pode ser perigoso pelos seus efeitos colaterais e alem disso, somente sair do buraco e como mergulhar no vazio. A dor insuportável pode ate diminuir, mas ai pode entrar um vazio existencial onde nenhum remédio atua, pois o ser humano não pode ser reduzido a hormônios e neurônios. Há uma singularidade que nos atravessa e com ela a abertura para novas possibilidades de tratar esse sofrimento. Possibilidades como a analise, que requer trabalho, escuta, elaboração, tempo. Que tal começarmos nos dando este tempo para olharmos para dentro de nos? As vezes é preciso ajuda, o primeiro passo é permitir e aceitar que o sofrimento faz parte de nossa vida.
domingo, 5 de agosto de 2007
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