domingo, 2 de setembro de 2007

SANTIAGO

Fui assistir ao filme Santiago, de Joao Moreira Salles. Pensei comigo que deveria ser um documentario insosso, mas como gosto dos trabalhos do diretor, la fui eu.
Grata surpresa. Ha muito um filme nao me emocionava tanto. Como documentario e interessantissimo, muitos ja disseram que esta obra revoluciona o cinema documentarista. Mas para mim, o que mais chamou atencao foi o proprio personagem, realidade e imaginacao.

Lembro-me de Max Weber e seu desencantamento do mundo: o real e mecanico, repetitivo e o reencantamento se da pela imaginacao, principalmente a imaginacao na arte.

Pois para Santiago essa ideia funciona. Depois de vermos suas divagacoes e lembrancas, descobrimos nele uma pessoa culta, viajada e cheia de historias. Mistura com extrema elegancia a realidade e a imaginacao, a memoria e o sonho. O proprio diretor, la pelas tantas no filme nos diz que talvez por essa brecha do universo artistico, fantastico, Santiago encontrava sua forca para viver uma vida da qual nenhum de nos sabe o sentido.

Li uma cronica de Contardo Calligaris sobre o filme da qual extraio uma parte:

"... Agora, Santiago tem uma consciência aguda de que a vida é passageira e o céu está vazio (citação de Bergman por Santiago). E não é uma consciência produzida pela idade avançada. Walter Salles me contou uma anedota bem anterior ao filme: uma manhã, Walter Moreira Salles, seu pai (e pai de João, claro) abriu as cortinas de seu apartamento de Copacabana junto com Santiago. Era um primeiro de maio ensolarado. Walter Moreira Salles comentou: "Que dia lindo". E Santiago, imediatamente, em portunhol, olhando para a praia já cheia: "Em cem años, estarão todos muertos".
Mas Santiago não é cínico. E seu remédio contra a morte não é apenas sua prodigiosa memória. No filme, Santiago toca as castanholas, canta, dança com as mãos e, sobretudo, está sempre preocupado com a beleza. Inclusive com a beleza da morte, "la gran partita", o "bel morir" que pode dignificar a vida inteira. Uma especialidade de Santiago consistia em preparar arranjos de flores para as festas. Ele dava, aos diferentes arranjos, nomes musicais, cantata, scherzos etc. Quando os terminava, ficava a fim de lhes pedir (aos arranjos) que cantassem, assim como Michelangelo perguntou "Por que não falas?" à sua estátua do Moisés (Santiago corrige a lenda, preferindo o Davi). As flores dos arranjos logo murcharão, mas o importante é que elas desabrochem na hora efêmera da festa, mostrando o esplendor de cada flor e a harmonia do arranjo. Como um arranjo, uma vida não se justifica por sua duração, nem pela lembrança, nem pelo aplauso dos outros, ela se justifica por sua harmonia intrínseca. Se for assim, o Santiago que conhecemos pelo filme de João Moreira Salles justificou sua vida."

Vale a pena!

8 comentários:

Gabriel Queiroz disse...

chega de teorias. mostre sua alma!

kurosawa disse...

BLÁBLÁBLÁBLÁ... (Suspiro)... Para que você acha que Deus fez este buraco no meio da sua cara?

Gabriel Queiroz disse...

eu sei. queria provocar algo. mas é difícil. a ouvi aquela voz ecoando aqui no quarto assim "hummmmmmmmmmmm".

hahaha.

bjos.

ps.: o kurosawa é um ser meio estranho... não ligue para ele não...

kurosawa disse...

Pense em mim!
Chore por mim!
Liga pra mim!
Não, não liga pra ele!
Pra ele!
Não chore por ele!
Em vez de você ficar chorando por ele!
Em vez de você ficar pensando nele!
Pensa em mim!
Chore por mim!
Liga pra mim!
Não, não liga pra ele!
Pra ele!
Não chore por ele!

Eu,Eu,Eu,Eu,Eu,Eu! Ou seja, Eu!

Gabriel Queiroz disse...

caraca!
aí fernanda, o kurosawa é um prato cheio pra qq psicanalista.....
acho que vc deve estar pensando "maldita hora que fui aparecer no blog deles..... ai ai ai"

kurosawa disse...

Que nada! Somos os únicos a escrever neste blog cheio de teias de aranha. A Fernanda deve estar cheia de si.

Ps. Entenda como quiser esta última frase.

kurosawa disse...

Vou tomar seu comentário como uma provocação. Adoro provocações. Você é muito simpática. Obrigado.

Você não acredita muito no que você faz, diz nem escreve. Por isso a paralisia na hora de escrever. Pudera, tantos mestres da suspeita num único blog dão nisso. Freud, Marx, Sartre, agora só falta escrever sobre Nietszche.

Fiz oito anos de psicanálise, não deu certo (como você pode ver). Ela começou a duvidar de tudo e ficar esquizofrênica. Será que você daria conta? Você realmente se responsabiliza por tudo o que você diz para os seus pacientes? Que espécie de desejo está por trás de alguém que quer viver de analisar a cabeça dos outros?

Gabriel Queiroz disse...

meu deus! injetem um coquetel de valium com aldol nessa criança!