“Tudo pode acontecer; tudo é possível e provável. Tempo e espaço não existem. Sobre uma insignificante base da realidade, a imaginação gira e tece novos modelos.”
August Strindberg
Comecei a pensar sobre o tempo e em como ele está passando cada vez mais rápido. É claro que numa sociedade de consumo como a nossa, imagens, símbolos, tecnologias vão e vêm sem apresentações nem despedidas. Temos pressa. Mas podemos relativizar o tempo? O que é o tempo?
Para a filosofia o tempo existe como uma dualidade entre permanência e mudança. Na permanência, o tempo é o da ciência, o da soma dos instantes. Na mudança, o tempo aparece como um fluir contínuo, uma unidade. Em Bergson vemos que o presente não é só o momento que se segue ao passado e que antecede ao futuro. O presente nos coloca em contato com o movimento das transformações das formas constituídas. A atualidade não revela um domínio estável e formas instituídas, nem a resultante de uma sucessão linear de eventos, mas um campo instável, do qual as transformações fazem parte. (Rolnik, Sueli)
Para a psicanálise, o inconsciente é atemporal. No existencialismo, o tempo do homem não está no passado, presente ou futuro. O sentido do homem está na sua própria historicidade.
Pois é, e o idoso, como ele vê essa questão do tempo? Geralmente, para o idoso o tempo é uma questão difícil que oscila entre um passado constantemente sendo revivido e um futuro sem perspectivas. O tempo não pára, já dizia Cazuza. Ele está aí, ele passa e nós também, isso é inegável. Mas, voltando ao início, quando digo relativizar o tempo, me refiro não a um tempo cronológico, marcado, mas ao tempo da experiência vivida, o tempo que não se esvai pois não é contado e sim vivenciado com projetos, sentidos, subjetivações.
Esse tempo não existe em números e sim como tempo da experiência; então, sim, podemos dizer que ele é relativo por ser único e imprevisível.
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
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